Trilha da Área de Proteção Ambiental do Rio São João conecta esporte, conservação da biodiversidade e geração de renda
Ampliar corredores ecológicos é um dos objetivos da Travessia Mico-leão-dourado, trilha de longo curso implantada pelo ICMBio e parceiros
A Prainha de Barra de São João é um dos diversos pontos das trilhas de longo curso que receberam tótens da Rede Brasileira de Trilhas, com informações sobre as travessias. Foto: Michelle Reis O ICMBio está fomentando a criação e demarcação de trilhas para conectar unidades de conservação e paisagens do Rio de Janeiro. Uma delas é a trilha da Área de Proteção Ambiental da Bacia do Rio São João/Mico-Leão-Dourado, que está sendo implementada ligando áreas protegidas públicas e privadas e as integrando ao projeto "Volta ao Rio", outra trilha de longo curso que une as unidades de conservação existentes no Estado, e à Rede Brasileira de Trilhas, formada por montanhistas, trilheiros e amantes da natureza.
Durante alguns dias da última e desta semana, a trilha da APA está sendo visitada por um dos atletas mais renomados, quando o assunto é esporte na natureza. Luiz Aragão também trilhou pelo Parque Nacional de Jurubatiba, em Macaé, e pela Área de Itapebussus, em Rio das Ostras. Depois, subiu o Morro São João e remou de caiaque no rio São João, antes de desembarcar na Prainha, em Barra de São João, distrito de Casimiro de Abreu, e seguir para Cabo Frio. "Eu conhecia pouco do RJ e não tinha ideia das belezas naturais da trilha da APA, como o manguezal, e os pontos turísticos, como a ponte caída, ambos em Barra de São João. Para a minha grata surpresa, cada dia que passa eu percebo que é melhor que o dia anterior. Está sendo muito gratificante testar essa trilha", ressaltou Aragão.
Todo esse movimento está sendo fortalecido com o Sistema Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, uma política nacional instituída por decreto do presidente Lula, na última semana. O objetivo é conectar pessoas, unidades de conservação e paisagens de relevância ambiental e cultural, viabilizando o turismo sustentável e a conservação da biodiversidade, fazendo jus ao lema do ICMBio, "Cuidando da natureza com as pessoas".
Gisela Carvalho, chefe do Núcleo de Gestão Integrada Mico-leão-dourado/ICMBio, explica que o objetivo é fazer com que essa trilha de longo curso permita atividades como caminhada, ciclismo e canoagem, percorrendo os municípios inseridos na Área de Proteção Ambiental, ao longo do curso do rio.
Para validar a viabilidade do projeto multimodal, foi convidado o atleta Luiz Aragão, por sua experiência em diversas frentes no turismo de aventura e sustentável.
Restauração florestal - A trilha da APA também prevê potencializar o trabalho de restauração florestal e conectar fragmentos de Mata Atlântica como modo de ampliar o habitat de animais ameaçados de extinção, como o próprio mico, a preguiça-de-coleira e a onça-parda.
Uma importante ferramenta utilizada para conservação e conexão de paisagens são as trilhas de longo curso, que funcionam como corredores ecológicos em diferentes países, com resultados extremamente positivos. No Brasil, por iniciativa da sociedade civil organizada formada por montanhistas, trilheiros e amantes da natureza, surgiu a Rede Brasileira de Trilhas, mesclando os modelos mais bem sucedidos no mundo, o norte-americano e o europeu.
O ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente têm trabalhado no planejamento e implementação de trilhas de longo curso, visando a formação de corredores ecológicos que possam ser utilizados pela fauna para se movimentar entre as áreas fragmentadas, principalmente as que conectam unidades de conservação, sejam elas públicas ou privadas. As trilhas são projetadas para que funcionem como corredores funcionais de fauna, impedindo a fragmentação total das unidades de conservação, permitindo o fluxo de espécies e conectando paisagens.
"A iniciativa também busca fortalecer e fomentar ações ligadas ao ecoturismo em propriedades e reservas privadas, criando oportunidades para pequenos produtores locais e impulsionando a economia sustentável da região", complementou Gisela.
Turismo contemplativo - Um exemplo citado por ela é a Ecovila, hospedagem no limite entre Rio Bonito e Cachoeira de Macacu, onde nasce o rio São João. Um grupo de oito pessoas construiu duas casas de onde os trilheiros podem pernoitar e amanhecer para contemplar, em uma altitude de mais de 700 metros, as montanhas e a nascente, além de poderem praticar o astroturismo, também oferecido no local. A Ecovila está inserida na "Travessia Mico-Leão-Dourado", nome da trilha batizada em homenagem ao primata que só existe livre na natureza nos municípios pertencentes à APA São João.
Outro foco do projeto da trilha de longo curso é promover educação e conscientização ambiental, incentivando a população a se aproximar das questões ligadas à conservação da natureza.
O incentivo ao turismo na APA da Bacia do Rio São João tem também como objetivo coibir a caça ilegal, a pesca predatória, queimadas, incêndios florestais, desmatamentos, produção de carvão vegetal, atividades agropecuárias degradantes e a expansão urbana desordenada.
Além disso, o projeto fomenta o ecoturismo nas 14 Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN do Mosaico Mico-leão-dourado e junto a proprietários rurais locais, como forma de incentivar a cooperação aos projetos de restauração florestal a serem desenvolvidos em propriedades privadas na APA.





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