Kaká Amaral
A Inversão dos Valores: Quando o Caráter Virou "Defeito" e a Falsidade Virou "Virtude"
Reflexão sobre a Distorção de Valores em uma Sociedade em Crise
Vivemos tempos estranhos, para não dizer sombrios. Estamos presenciando uma distorção de valores tão absurda que os conceitos de integridade e lealdade parecem ter sido ressignificados de forma perversa. Hoje, quem escolhe ser de verdade — aquele que defende a família, honra os amigos e se recusa a dividir a mesa com a hipocrisia — é frequentemente rotulado como uma pessoa "difícil de lidar". Por outro lado, o bajulador profissional, aquele que sorri estrategicamente para quem tem posses e se aproxima apenas por interesse material, é aplaudido como "alguém do bem" ou "super galera".
É o triunfo da embalagem sobre o conteúdo. Como diria a eterna Rita Lee, essas figuras que performam uma bondade calculada são, na verdade, "chatas pra cacete" e vazias em sua essência. Tornou-se comum ver pessoas se perdendo de si mesmas em busca de cliques, status e aceitação passageira, enquanto assistem à maldade e à injustiça de camarote, sem mover um dedo. Onde foram parar o valor da palavra dada e o cumprimento das promessas?
O que mais assusta é a naturalização do que é inaceitável. Ver amigos, e até irmãos, sentando-se à mesa com quem te apunhala pelas costas, ignorando o princípio básico de que quem é inimigo do meu amigo jamais terá lugar ao meu lado. É a era do fútil, do descartável e do lucro imediato acima da dignidade. Em um mundo de máscaras sociais, ser autêntico e seletivo virou um ato de resistência. Prefiro o rótulo de "difícil" à facilidade de uma alma vendida.
"A nossa geração ainda terá que se arrepender não apenas das palavras e dos atos odiosos dos maus, mas também do silêncio aterrador dos bons." — Martin Luther King Jr.




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